Presidente da APAVT lança apelos à TAP e ao Governo

Agências não querem que a TAP centralize vendas

O presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagem e Turismo (APAVT), Pedro Costa Ferreira, diagnostica uma "alteração do status quo da cadeia de distribuição do sector".

Deu como exemplos "a imposição da taxa DCC do grupo Lufthansa" na Europa, mas acima de tudo a estratégia decorrente da privatização da TAP que leva a companhia a centtralizar a venda de bilhetes em Portugal.

Daí ter aproveitado a abertura do congresso de Aveiro para deixar "uma exigência que é, afinal, espelho da necessidade de absoluta liberdade de escolha e transparência na relação com o cliente". "Exigimos que não haja discriminação do canal de distribuição", referiu.

A APAVT manifesta "vontade de dialogar e cooperar" para que sejam encontradas "soluções equilibradas e que defendam o primado da escolha do consumidor".

Em relação ao Governo, Pedro Costa Ferreira aproveitou a presença  da Secretária de Estado, Ana Mendes Godinho, para recordar que estão em aberto, "dossiers fundamentais para o nosso futuro, bem como problemas cruciais que continuam a afectar o nosso presente". É o caso dos trabalhos de transposição da directiva, com a elaboração do texto jurídico concreto, havendo "consciência da necessidade de preservação da confiança dos consumidores nas agências de viagens, bem como total conhecimento da importância da DECO no âmbito da protecção e defesa do consumidor".

Também julga ser fundamental que o mecanismo de garantia financeira permaneça inalterado. "Por um lado, o Fundo de Garantia das agências de viagens está bem e recomenda-se, aproximando-se, contra ventos e marés, dos 4 milhões de euros. Por outro lado, o sector uma vez mais, deu demonstração cabal da sua proactividade e coerência, produzindo desde já um seguro que responde tecnicamente às exigências da nova directiva", refere.

Num outro âmbito, o presidente da APAVT assumiu prosseguir "a luta contra as desigualdades fiscais, interna e externa". E referiu preocupação com alguns efeitos: "Não encontramos uma explicação para que se mantenha a possibilidade de tantos países europeus organizarem eventos, no âmbito do MICE, 23 % mais baratos que em Portugal...Porque menos MICE significa também menos hotelaria, menos restauração, menos animação turística, menos compras nas lojas, menos exportações. É um problema vasto e muito importante para o País, gostaríamos, sinceramente, que não fosse olhado como um mero assunto de interesse corporativo".

Perdo Costa Ferreira espera da tutela "a ponderação e o espírito de colaboração de sempre", porque da parte da APAVT o governo pode contar com trabalho consolidado. "Acompanhamos activamente a transposição da nova directiva, trabalhamos intensamente na reposição de desigualdades fiscais internacionais e nacionais, temos tido importante actividade de promoção do nosso País e das nossas regiões, recuperámos financeiramente a associação e temo-nos esforçado por indicar um caminho estratégico aos nossos associados, o da criação de valor para o cliente. Finalmente, pelo segundo ano consecutivo, o universo associativo da APAVT cresceu, consolidando a interrupção de um ciclo negativo provocado pela crise", sublinhou.

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