Hotel de luxo da Hilton com marca madeirense

FN Hotelaria participou na execução do hotel Conrad Algarve

A empresa madeirense FN Hotelaria participou na execução do mais recente hotel de luxo do Algarve, o Conrad Algarve Hotel, do grupo Hilton, que se situa na Quinta do Lago, em Faro. Segundo o director comercial da empresa, João Abel de Freitas, este projecto representou um encaixe na ordem de 1,4 milhões de euros para a empresa e, apesar dos avanços e recuos que se registaram, constitui "um marco" na história da empresa, tendo em conta a nova perspectiva adoptada, de expansão do mercado além fronteiras.

Desde uma fase inicial no projecto do Conrad Algarve, a FN Hotelaria teve uma colaboração, em conjunto com o promotor, ao nível do desenvolvimento dos projectos e da própria solução, em termos de implantação de todos os equipamentos industriais e hoteleiros, e ajudou a definir toda a operação de comidas e bebidas.

João Abel de Freitas salienta a cozinha do restaurante 'Gusto' deste hotel, em que todo o conceito foi idealizado com o intuito de poder alcançar estrelas Michelin num futuro próximo.

A FN Hotelaria representa marcas nacionais e internacionais de referência, no que diz respeito a equipamentos industriais e hoteleiros, desde cozinhas, bares, câmaras frigoríficas, salas de preparação, pastelaria, padaria, lavandaria. Hoje em dia têm ainda uma nova componente, ligada à área de ar condicionado e ventilação, abraçando assim um leque alargado de soluções técnicas.

A empresa já tinha concorrido para um outro hotel Hilton, o Cascatas em Vilamoura, mas perderam esse projecto, embora a marca não tenha ficado satisfeita com a solução adquirida na altura. "Desde essa altura ficámos com referências dentro da própria cadeia e temos vindo a fazer os produtos hoteleiros de maior referência nos últimos anos, como as Pousadas de Portugal, em particular, desde que o grupo Pestana assumiu a exploração e gestão desse produto", referiu, frisando que realizaram também os projectos do Palácio do Freixo, Pousada de Viseu, Tavira e, este ano, acabaram o Cidadela em Cascais. Também estiveram presentes no Sheraton de Lisboa, no Aquapura Hotel, Fontana Park e Inspira Santa Marta.

A aposta no mercado externo é cada vez mais visível, mas, numa fase inicial, fizeram a hotelaria de referência regional. "Numa segunda fase, com a saída para o mercado nacional, ganhámos a aposta e tornámo-nos uma referência em toda a hotelaria de média/alta gama que se tem vindo a desenvolver, nos últimos anos, a nível nacional", vincou.

Neste momento, o foco da empresa passa cada vez mais pelo mercado internacional, não descurando o mercado regional e nacional. Lá fora, neste momento, estão a executar uma obra em Cabo Verde, para o grupo Oásis Atlantic, e terminaram, há pouco tempo, a remodelação de um hotel que existe em Príncipe e o Pestana Casablanca, em Marrocos. "Não pretendemos entrar nesses mercados numa lógica de roubar o trabalho às empresas que lá existem, a nossa filosofia é poder possibilitar, de alguma forma, uma parceria com as empresas locais, eventualmente de menor dimensão, que não têm a capacidade técnica e o conhecimento para trabalhar em determinados projectos que estão a acontecer nos mercados em que eles existem", explicou.

A ligação da FN Hotelaria com o Conrad Algarve começou em meados de 2006, mas foi um processo longo em termos de negociação e estudo. O projecto teve diversos percalços, que obrigou a atrasos sucessivos na obra, até que as intervenções pararam mesmo, por causa de constrangimentos financeiros. Os contratempos obrigaram a esforços financeiros dos diversos intervenientes, inclusive da FN Hotelaria, que teve de abdicar de parte do contrato para assegurar que o projecto chegava ao fim. "Não foi fácil, mas tivemos a capacidade de chegar até ao fim, algo que outras empresas não conseguiram", frisou. No valor global, o encaixe para a FN Hotelaria foi de 1 milhão e 400 mil euros, um valor que inicialmente ultrapassava 1,5 milhões, mas houve a necessidade de fazer um reajustamento.

Estrela Michelin é meta com os recursos que possuem


Segundo o chefe executivo de cozinha do Conrad Algarve, Cristiano di Martin, a gastronomia tem uma grande importância no grupo, uma vez que a cadeia de hotéis Hilton reconhece essa relevância dentro dos serviços de um hotel. Em relação ao Conrad Algarve, a variedade é muita e o trabalho árduo, no sentido de inovar e criar uma identidade que o diferencie da concorrência.

Na cozinha do Conrad Hotel, Cristiano di Martin faz questão de usar produtos locais nos pratos que realiza. "Cada Conrad faz uma ligação com a comunidade, o que, no meu caso, é através da comida", disse. "Há aqui produtos muitos bons em Portugal e no Algarve em particular e, por isso, tentamos mostrá-los nos nossos menus", explicou.

Em relação as cozinhas escolhidas e que foram equipadas pela equipa madeirense em parceria com todos os intervenientes, inclusive o chef, garantiu que os objectivos foram cumpridos. "Foram muito profissionais e fizeram questão de que todas as indicações fossem seguidas ", frisou, apontando que com os recursos disponíveis vão lutar por uma estrela Michelin.

Números

1,4
Com esta obra no luxuoso Conrad Algarve Hotel, a empresa madeirense teve um encaixe financeiro de 1,4 milhões de euros.

4
A FN Hotelaria equipou quatro restaurantes deste hotel, localizado na Quinta do Lago, mas também cinco bares.

9
Número de funcionários da empresa que se deslocaram ao Algarve durante o equipamento do hotel.

80
O Conrad Algarve também possui apartamentos para venda, com preços a rondar 1 milhão de euros.

154
Número de quartos que o hotel tem disponíveis e cujos preços variam entre os 300 e os 3.000 euros.

2.300
Número de equipamentos de cozinha, lavandaria e outros vendidos pela FN Hotelaria para o Conrad Algarve

 

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Qualidade e segurança são máximas para grupo Hilton

De acordo com o director técnico do cluster Algarve do grupo Hilton, António Horta, a qualidade e a segurança são pontos fortes desta cadeia de hotéis. "Nós tentamos ter sempre o máximo de qualidade com o máximo de segurança, olhando e zelando não só pelos nossos clientes, mas também pelos nossos empregados", vincou ao DIÁRIO, referindo que a formação é uma exigência máxima.

No grupo, hoje é ponto assente que nada pode ser deixado ao acaso. Anualmente, os hotéis Hilton são visitados por especialistas em segurança, que fazem um levantamento e dão alguns pontos que são para cumprir no imediato ou em meses, consoante as prioridades que têm de ser atingidas.

Visto que trabalha na área da qualidade e da segurança, e tendo já passado por vários grupos e sempre estrangeiros, o trabalho da FN Hotelaria é traduzido por António Horta como uma "experiência maravilhosa", enaltecendo a preocupação demonstrada, desde o início, em alertar e ajudar, mostrar e esclarecer todas as dúvidas que apareciam, de uma forma natural.

Quanto ao futuro, o caminho aponta para uma lógica de sustentabilidade. Todos os meses, os hotéis Hilton têm de reportar os consumos de electricidade, gás e  água e, todas as noites,  pesam todos os lixos, óleos, pilhas, baterias e lâmpadas. Posteriormente são classificados consoante os valores registados e alertados se estão  dentro dos limites previstos ou não.

"Todos os mercados interessam" incluindo o da Madeira

Após a abertura do Hilton em Vilamoura, o grupo considerou que havia mais margem de lucro com a construção de um novo hotel da cadeia Hilton. Daí surgiu o Conrad Algarve, hotel da marca de luxo internacional do grupo Hilton. "Nós acreditamos que uma abertura desta dimensão tem um grande potencial para o grupo", disse ao DIÁRIO o director geral do Conrad Algarve, Joachim Hartl, apontando ainda que o mercado madeirense não está de parte.

Segundo o director geral, este é o terceiro Conrad na Europa, os outros estão situados em Dublin e Istambul, e este novo produto para o Algarve contém motivos que o diferenciam na arquitectura, no design e na arte, com uma estreita ligação com a cultura local. "Se olhar para o Conrad Algarve, o conceito foi criar um palácio português do século XVIII, com elementos que se ligam com a cultura portuguesa, por exemplo, nos motivos mouriscos, que se encontram na entrada", referiu. Para tal contou com designers de interiores conceituados e também com dois arquitectos diferentes, um internacional e um local.

Joachim Hartl afirmou ainda que conhece a Madeira - já esteve na Região - e, quanto a uma possível abertura de um Hilton na Madeira, frisou que todos os mercados interessam, nenhum está de parte e estão sempre à procura de novas oportunidades. "A nossa equipa anda lá fora à procura de oportunidades, se houver uma oportunidade lá fora, essa equipa tratará disso, com certeza", garantiu.

Durante a construção deste empreendimento, não trabalharam só com a equipa madeirense da FN Hotelaria. Segundo o director geral, a estilista Fátima Lopes desenhou todos os uniformes.

O primeiro contacto com a FN Hotelaria foi quando ainda era director de comidas e bebidas da Hilton para a Europa e estavam à procura de novos parceiros para construir as cozinhas. "Nós estávamos a procura de novas empresas no mercado e encontrámos a FN Hotelaria, que foi recomendada, e verificamos que em termos de qualidade de oferta, e tendo em conta os padrões da Hilton, seriam uns bons parceiros para concluir este projecto", confessou.

Para Joachim Hartl, com a empresa madeirense os objectivos foram alcançados. "Primeiro do que tudo, acho que foram muito profissionais", disse, apontando que não impuseram marcas, apenas disseram o que pretendiam e a empresa apresentou os produtos e as marcas que preenchiam as especificações dadas. "Esse processo foi bastante tranquilo e nessa perspectiva estou muito satisfeito com o trabalho que fizeram", rematou.