"Ponta Delgada é um 'resort' da Madeira"
"A Ponta Delgada é um 'resort' da Madeira absolutamente fantástico. Tenho pena que os madeirenses ainda não tenham descoberto as potencialidades, ao contrário dos turistas estrangeiros que ficam maravilhados com este destino e que repetem invariavelmente as suas férias". A declaração mais parece um autêntico 'spot' publicitário e surge pela voz de Eustáquio Gonçalves, o director do Montemar Palace e da Estalagem do Mar, ambas sediadas no concelho de São Vicente e que se destacam na recém-denominada Costa da Laurissilva pelo crescimento. As 386 camas fazem tirar algumas vezes o sono, mas a potencialidade da costa Norte acaba por minimizar as insónias.
Nesta altura do ano, a taxa de ocupação destas duas unidades cifra-se entre os 85% e os 95%, números inversos à média registada na costa nortenha, de acordo com dados recolhidos junto da ACINM. Um sucesso que Eustáquio Gonçalves atribui à equipa de colaboradores e da própria administração, mas também não relega o mérito de ter conseguido implementar uma dinâmica que aprendeu a "pulso com muita sorte e muito trabalho" na hotelaria. O facto de ter passado um pouco por todos os serviços, até chegar ao topo da hierarquia aos 30 anos de idade, diz que lhe "dá um know-how para saber do que falo e do que pretendo".
"Costumo dizer que não vale a pena ter um discurso bonito sem ter os números que sustentem essa dialéctica. Os meus falam por si e que serve também para desmontar aqueles que me consideram inexperiente", reage, sustentando a sua tese nas taxas de ocupação e no preço médio, uma aritmética que acaba por traduzir-se no lucro nas diferentes operações que desenvolve.
Considera que para ter sucesso no ramo da hotelaria é fundamental conhecer as várias dinâmicas do ramo ou então defende que as equipas sejam multidisciplinares, aplicando aos grandes grupos. "Hoje em dia sou um melhor comercial do que na altura quando era somente comercial, porque tenho a completa noção de quanto tenho, por exemplo, de pagar de luz ou água, assim como no F&B ou no ramo dos recursos humanos", confere.
Costa Norte demarca-se
Eustáquio Gonçalves diz que vende o "produto da costa Norte com uma segmentação destino Madeira", ou seja, tenta "demarcar a costa Norte do grosso do destino Madeira". É fácil fazer-se isso? "Não, não é fácil. Hoje em dia não é fácil vender Madeira, pela concorrência que tem de outros destinos".
"Muitas vezes coloco-me no papel de um cliente alemão ou inglês, bombardeado por mil e uma ofertas e questiono-me: porque iria escolher o destino Madeira?", Quisemos saber qual seria a resposta: "Aqueles que conhecem, normalmente repetem. Aqueles que não conhecem, normalmente vêm cá bater por uma ou outra informação que encontram na Internet ou numa brochura".
O director defende, por isso, mais e melhor promoção, sabendo que o dinheiro é o motor da divulgação. "O destino Madeira não é tão conhecido como julgamos que é.
Não é tão divulgado como nós pensamos que é. Tenho esta noção de relatos de clientes e de viagens efectuadas", disse, lançando uma alfinetada: "Não estamos a trabalhar bem a divulgação do nosso destino. Neste pacote incluo os privados e sem dúvida as autoridades governamentais".
Além disso, frisa que "o turismo na Madeira tem de ser visto como fonte incondicional da economia madeirense. É uma área que temos impacto e ainda conseguimos nos destacar".
Funchal e Norte em separado
"A Madeira é composta por diversas áreas ou zonas de diferentes atractivos para os clientes. Ora, não faz sentido, a meu ver, estar a incluir no mesmo bolo a costa Norte, que é vendido aos estrangeiros, ao lado do Funchal. A capital madeirense oferece determinadas coisas que a costa Norte não dispõe. Julgo que temos dimensão suficiente para segmentar essa escolha tal como as Canárias fazem", expressa, dizendo que a estratégia tem sido aliar-se a operadores turísticos que valorizam a localização e que conseguem trabalhar a partir da costa Norte.
Formado em Ciência Política
Engane-se quem pense que para ter sucesso na carreira profissional obrigatoriamente tem de ter uma correlação íntima com o percurso académico. Eustáquio Gonçalves é o exemplo que a regra nem sempre se cumpre. Tem uma licenciatura em Ciência Política na vertente de Relações Internacionais. Confessa que a diplomacia sempre o atraiu, razão para ter perseguido o sonho. Chegou inclusive a ter programado um estágio no Ministério dos Negócios Estrangeiros, mas, em 2003, uma oferta do Crown Plaza onde já tinha trabalhado durante os períodos de férias, inverteu-lhe o destino. "Entre as minhas funções tinha a responsabilidade de desenvolver o projecto que era mundialmente conhecido, mas que na Madeira era um pouco embrião. Estamos a falar da Expidia", contou.
Muito tempo antes, chegou a concorrer à Escola de Oficiais da PSP quando terminou o secundário. "Cheguei até a passar nos exames físicos, mas, como queria tirar muito o curso de Ciência Política, desisti da carreira de um possível Comissário da PSP".
Posteriormente, em 2004, entra para o Grupo Dorisol com o propósito de desenvolver o produto Brasil. Em 2005 segue para agência EVTours. "Foi a experiência da minha vida. Ao trabalhar no mercado 'incoming' temos contacto com toda a hotelaria madeirense e contactos com mil e um operadores diferentes, nacionalidades diferentes e sazonalidades diferentes. Outra vantagem é a percepção de posicionamentos gerais do mercado, negociação de preços. Esta experiência fez-me sem dúvida alguma mais forte".
Após quatro anos, regressa ao Grupo Dorisol. É-lhe destinado o cargo de director comercial. Em 2009, chega por convite de Marcos Rosa ao Montemar Palace e à Estalagem do Mar. Desde essa data, a taxa de ocupação disparou, com preços médios por quarto a crescerem significativamente.




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