O que é regional é bom

Espadarte de 133 quilos foi a estrela de mais uma iniciativa da Rota das Estrelas. FOTOS HÉLDER SANTOS/ASPRESS
António Costa marcou presença no evento.
Chefe japonês preparou sushi e sashimi no Mercado dos Lavradores

Um espadarte com 133 quilos foi a atracção de ontem da iniciativa "Rota da Estrelas", promovida pelo Grupo Porto Bay.

O chefe japonês Kei Matsushima, detentor de  uma estrela Michelin, desmanchou com perícia o lombo do enorme espadarte, com o qual fez rolos de sushi e sashimi, temperados com maracujá, ervas aromáticas, azeite e gengibre, que deliciaram todos quantos assistiram ao evento.

Na plateia um convidado inesperado não deixou de elogiar a iguaria. António Costa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, acompanhado da mulher, não quis contudo prestar declarações. De férias, aproveitou a manhã de ontem para uma passagem pela praça do peixe no Mercado dos Lavradores, onde viu os chefes Michelin usarem o que de melhor tem a Madeira. Um facto aliás destacado por Benoît Sinthon, chefe anfitrião da iniciativa, o qual sublinhou que  Matsushima ficou impressionado ao cortar o espadarte devido à sua frescura.

"Mais uma vez a base do sushi que o Kei vai preparar tem como matéria prima o peixe que é o mais importante porque aqui na Madeira temos, em geral, peixe fresco todos os dias e a frescura do peixe é a base da cozinha o que deixou o Kei encantado", afirmou o chefe do "il Gallo d'Oro", acrescentando que Kei Matsushima também gostou muito da maracujá.

António Trindade, do Grupo Porto Bay, lembrou que a "Rota das Estrelas" é uma aposta com cinco anos, numa iniciativa que considera particularmente importante para os madeirenses e para os turistas. "Este tipo de eventos são particularmente importantes numa terra como a Madeira onde não temos aquele tipo de cliente de sol e praia, pelo que é preciso criar eventos que façam parte quase diária da oferta turística madeirense." É precisamente com este objectivo que o Grupo Porto Bay tem feito semanas de chocolate, de Itália. São eventos que não estão apenas virados para dentro dos hotéis.

António Trindade destacou o facto dos chefes terem origens diversas, sublinhando o caso do chefe japonês que ontem esteve na praça do peixe do mercado dos lavradores.

O empresário recusa, no entanto, falar da implementação de uma espécie de turismo gastronómico. "Temos sobretudo turismo, temos uma necessidade de ocupar tempos livres, oferecendo eventos de excelência. Não devemos ter aqui sempre a necessidade de compartimentar as coisas. Penso que quem vem para um turismo de saúde gostará de ter experiências gastronómicas, quem vem para usufruir uma cidade gostará ter essas mesmas experiências".

Segundo António Trindade, a Madeira incorpora um tipo de turismo que tem muito para oferecer. "Os madeirenses não têm direito de dizer que vivem em ambiente de crise com aquilo que têm para oferecer. Nós todos, e isto é um desafio à classe empresarial, temos que fazer os possíveis para, em conjunto, dar qualidade ao que temos."

Miguel Albuquerque, por seu turno, considerou a iniciativa do Porto Bay muito importante em termos de promoção da cidade. "Basta ver o que dizem os chefes a propósito da qualidade dos nossos frutos e do nosso pescado. Acho positivo realizar-se aqui um evento desta natureza, com uma matriz internacional, e num mercado que é o local da Madeira mais visitado em termos turísticos".

Miguel Albuquerque defende que os produtos regionais têm de estar associados ao necessário reforço do produto turístico regional". Considera mesmo que os efeitos multiplicadores do turismo na nossa economia têm de ser considerados e reforçados dentro de um plano estratégico de turismo para a Madeira."

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