Secretário de Estado do Turismo deveria reportar ao primeiro-ministro

O presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP) afirma que o setor do turismo gostaria de ter um secretário de Estado da tutela que respondesse directamente ao primeiro-ministro, à semelhança do que acontece, por exemplo, em Espanha.

Em entrevista à Lusa, o presidente da CTP, Francisco Calheiros, disse que não considera fundamental ter um Ministério do Turismo - como já existiu - ainda que considere essa situação melhor do que uma secretaria de Estado, mas garantiu que o sector já ficaria agradado "com um secretário de Estado que reportasse diretamente ao primeiro-ministro".

"A agricultura tem ministério, o turismo tem uma Secretaria de Estado. Porquê?", questionou o dirigente da CTP, lembrando que o sector é transversal a vários ministérios, como a agricultura através do ordenamento do território, as finanças por questões fiscais, a cultura e a economia, dentro da qual a secretaria de Estado está inserida neste momento.

Daí a sugestão de Francisco Calheiros para que se faça o que se fez em Espanha: "Ponham um secretário de Estado, não precisamos de ter ministro, mas a reportar diretamente ao primeiro-ministro".

Francisco Calheiros, que se descreve como "doente pelo Sporting" e em tempos esteve perto de avançar para uma candidatura a presidente do clube, descreveu o novo secretário de Estado do Turismo, Adolfo Mesquita Nunes, como alguém com "grande disponibilidade e sentido de oportunidade", mas lamentou a saída da anterior responsável numa altura em que estava por dentro dos temas.

"Quando este Governo entra, entra uma secretária de Estado nova [Cecília Meireles], completamente desconhecida do sector que não foi muito aplaudida. Ao fim de ano e meio, o setor acolheu a secretária de Estado. Aquilo que digo é que nesta altura tínhamos uma secretária de Estado mais preparada. O que é que aconteceu agora? Saiu. Não me perguntem porquê que eu não sei a razão", disse Francisco Calheiros, que já se reuniu com o novo secretário de Estado três vezes.

O presidente da CTP, que com um prémio do Euromilhões na mão se despedia para ir trabalhar para Alvalade em regime 'pro bono', lamenta que não se dê a "importância e a deferência" devidas ao turismo, mas declara que vai lutar para que tal aconteça.

 

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