Vinci mais do que duplica negócio aeroportuário com a compra da ANA

O Governo formaliza hoje o acordo para a privatização da ANA -- Aeroportos de Portugal ao grupo francês Vinci, que com esta aquisição mais do que duplica o negócio de gestão aeroportuária com um investimento de 3.080 milhões de euros.

O grupo francês, cujo maior acionista é um fundo do Qatar, gere atualmente 12 aeroportos -- nove em França e três no Camboja -- que movimentam 8,5 milhões de passageiros por ano, e passará a ter a seu cargo 22 aeroportos. Só o aeroporto de Lisboa fechou 2012 com 15 milhões de passageiros.

O presidente executivo da Vinci Concessions, Louis-Roch Burgard, que hoje vai representar o grupo francês na assinatura do acordo, admitiu, quando ainda estava na corrida à empresa, que o objetivo era fazer da ANA "bandeira em termos de desenvolvimento aeroportuário".   

"Queremos que [a ANA] seja a base de todos os desenvolvimentos futuros neste setor", disse o responsável, em conferência de imprensa, em novembro, no dia em que começou a segunda fase do processo de venda da ANA.   
Para a formalização do acordo, que se realiza no salão nobre do Ministério das Finanças, às 15:30, o Governo vai estar representado pelo ministro de Estado e das Finanças, Vítor Gaspar, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas e o ministro da Economia e do Emprego, Álvaro Santos Pereira.   

Da Vinci vão estar o presidente da Vinci Airports, Nicolas Notebaert, e o presidente executivo da Vinci Concessions, Louis-Roch Burgard.   

A formalização do acordo para a venda da ANA - o primeiro passo para a alienação da concessionária aeroportuária -, equivalente à promessa de compra e venda, será acompanhada pelo pagamento de uma prestação inicial de 100 milhões de euros.   

O Governo anunciou a 27 de dezembro a decisão de vender 95% do capital da ANA (os restantes 5% são para os trabalhadores) à Vinci e concedeu um prazo máximo de nove meses para a empresa francesa pagar a totalidade dos 3.080 milhões de euros, devendo a venda formalizar-se entretanto.  

O grupo francês Vinci, vencedor da privatização da ANA -- Aeroportos de Portugal, fechou 2012 com um lucro de 1.917 milhões de euros, um aumento de 0,7% em relação ao ano anterior, superando as expectativas dos analistas.

A Vinci já está presente em Portugal, através de uma posição acionista de 37% na Lusoponte, a concessionária das pontes Vasco da Gama e 25 de Abril até 2030, enquanto a Vinci Construction fez parte do consórcio que construiu Ponte Vasco da Gama.   
 

+A A -A