Bernardo Trindade é candidato a 'vice' da AHP

"É preciso quebrar barreiras e reivindicar vontades transversais", defende o ex-secretário de Estado do Turismo.
Associativismo antevê, demonstra e implementa, factores que seduzem Trindade

Bernardo Trindade aceitou o convite para candidatar-se à vice-presidência da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP). Um cargo que deverá desempenhar a partir de 11 Março próximo, data das eleições na associação, já que a única candidatura reúne o consenso dos associados.

O actual director de projectos de Porto Bay e ex-secretário de Estado do Turismo aceitou o desafio "por uma questão de filosofia de vida: só temos autoridade para criticar depois de contribuir, de estar presente", julgando que "não basta confortavelmente comprar bilhete e ficar a assistir na plateia".

Para além da determinação pessoal, destaca a circunstância decorrente dos "tempos muito difíceis", que exigem intervenção. "Nunca como agora se justificou o papel de associação no quadro da actividade turística. Partilharmos ideias, problemas e inventariarmos soluções: para implementar nas nossas empresas, na relação com o Estado" justifica.

Bernardo Trindade defende que o turismo "merece das associações uma voz activa que valorize a sua condição de actividade económica mais importante" e que esteja presente nas decisões com impacto directo na actividade turística. Uma intervenção que evitaria dissabores. Dá como exemplo a não tolerância de ponto no Carnaval e o efeito negativo que tem na actividade turística. Ou a eliminação de feriados a pretexto de um suposto aumento de produtividade. "Foi ponderado o custo destas decisões para uma actividade que se crê essencial para alavancar a economia portuguesa?", pergunta.

A AHP tem actualmente perto de 500 associados que, entre grandes e pequenas unidades, representam mais de 60% do contributo da hotelaria para a economia nacional.

A lista à próxima direcção é encabeçada pelo administrador executivo do grupo Natura IMB Hotels, Luís Veiga, empresário que integra a actual direcção executiva da AHP, como Vice-Presidente.

 

+A A -A

Associações a mais

Em artigo recente publicado na revista Publituris, Bernardo Trindade apelou a que "o associativismo no âmbito do turismo ganhe dimensão e massa crítica para que seja uma voz activa e interventiva nas opções globais", seja solução para os problemas comuns e "contribua decisiva e construtivamente para eliminar os constrangimentos ao crescimento da atividade turística, principal exportador português de serviços". Se o faz é porque detecta anomalias com contributos desastrosos para o sector.  Constata haver uma proliferação de associações de turismo, concretamente de hotelaria, que a seu ver "é potenciadora de entropia, ineficácia e défice de autoridade que, na época em que vivemos, não beneficia o turismo". Daí julgar ser decisivo proceder à "racionalização de associações e de afirmação de uma voz com dimensão, representativa dos empresários turísticos, que têm desafios comuns que precisam de abordagens integradas e sem muros".