Ryanair insta UE a adotar sistema que reduz restrições nas viagens

A companhia aérea Ryanair apelou hoje aos governos da União Europeia para adotarem o sistema 'traffic light', um sistema de cores sobre restrições de viagens proposto pela Comissão Europeia, considerando essencial para alguma recuperação da aviação e do turismo.

"As indústrias da aviação e turismo da Europa não podem sofrer qualquer atraso na adoção deste novo sistema, uma vez que estão em risco milhões de postos de trabalho na Europa num inverno extremamente difícil. Este quadro comum da UE ajudará a recuperar a confiança nas viagens aéreas e a colocar fim às diferentes políticas nacionais em toda a Europa que têm prejudicado a procura por parte dos consumidores", lê-se no comunicado divulgado pela Ryanair.

A companhia aérea apela a que o sistema 'traffic light' seja adotado pelos governos na cimeira de 13 de outubro, em Bruxelas.

Em 04 de setembro, a Comissão Europeia adotou uma proposta com vista a garantir que quaisquer medidas decididas pelos Estados-membros que restrinjam a livre circulação devido à pandemia da covid-19 sejam coordenadas e comunicadas claramente a nível da União Europeia (UE).

A proposta que o executivo comunitário submete ao Conselho prevê que haja critérios comuns para os Estados-membros decretarem restrições de viagens, um mapeamento desses critérios comuns utilizando um código de cores acordado entre os 27, um quadro comum de medidas aplicadas aos viajantes provenientes de zonas de alto risco, e informação clara e atempada ao público sobre quaisquer restrições, que devem ser anunciadas com uma semana de antecedência.

Quanto ao código comum de cores, Bruxelas propõe que caiba ao Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC, na sigla em inglês) publicar um mapa, a ser atualizado semanalmente, no qual as regiões devem ter uma de quatro cores: verde, laranja, vermelho e cinzento.

O executivo comunitário propõe o verde para as áreas onde o número total de casos de covid-19 recentemente notificados seja inferior a 25 durante um período de 14 dias e a percentagem de testes positivos de todos os testes seja inferior a 3%.

O laranja seria para uma área onde o número total de casos positivos seja inferior a 50 durante um período de 14 dias, mas a percentagem de testes positivos de todos os testes seja de 3% ou superior, ou o número total de casos positivos se encontre entre 25 e 150, mas a percentagem de testes positivos de todos os testes seja inferior a 3%.

Bruxelas defende que devem ser colocadas no vermelho áreas onde o número total de casos seja superior a 50 durante um período de 14 dias e a percentagem de testes positivos de todos os testes realizados seja de 3% ou mais ou o número total de casos seja superior a 150 por 100 mil pessoas durante um período de 14 dias.

Por fim, sugere a cor cinzenta nos casos em que não houver informação suficiente disponível para avaliar os critérios propostos pela Comissão, ou quando o número de testes realizados por 100 mil pessoas seja inferior a 250.

Quanto aos viajantes oriundos de "áreas de alto risco", a Comissão defende que nenhum Estado-membro deve proibir a entrada de cidadãos comunitários, devendo antes exigir que as pessoas se submetam a uma quarentena ou, preferencialmente, realizem um teste à chegada.

Segundo disse hoje a Ryanair, este sistema "ajudará a restaurar a confiança dos consumidores antes dos difíceis meses de inverno e permitirá às companhias aéreas planear o verão 2021, tendo em consideração que milhões de empregos dependem da recuperação do setor da aviação e do turismo".

"No âmbito deste sistema comum, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças confirmou que é seguro viajar para 15 países da UE sem quaisquer restrições de viagem", afirmou a Ryanair.

A companhia aérea cita ainda peritos de saúde, incluindo a Organização Mundial de Saúde, para afirmar que "as viagens aéreas representam um risco mínimo para a propagação do vírus", acrescentando que "no verão transportou mais de 16,5 milhões de passageiros com zero transmissões em voo". 

 
+A A -A

Os mais...