Novas unidades de alojamento local diminuem 40% na Madeira

Comparativamente a Janeiro e 15 de Setembro de 2019, os oito meses e meio deste ano resultam em menos 146 unidades criadas
Foto Shutterstock

O sector do Alojamento Local (AL) é o que tem mais sofrido com os impactos da pandemia, pelo menos assim dizem os números mais recentes. Juntando o facto de já em Julho menos de 1/3 (32,5%) das unidades registadas na Madeira estar em funcionamento, comparando com os 58,5% do turismo no espaço rural e 54,3% da hotelaria, apesar de se registar uma quebra de 76,8% nas dormidas e congregar 27,2% do total, a verdade é que o ímpeto de novas unidades foi claramente afectado pelo covid-19. Comparativamente a Janeiro e 15 de Setembro de 2019, os oito meses e meio deste ano de 2020 resultam em menos 146 unidades criadas o que dá uma quebra de 40,3%.

Há um ano, tinham sido registados 362 alojamentos locais no mesmo período, o que é revelador do forte impacto que este segmento enfrenta no actual cenário, sendo certo que a grande maioria dos espaços ainda são investimentos de proprietários à procura de uma fonte de rendimento alternativa. Até a última terça-feira foram criados na Madeira e Porto Santo um total de 3.652 unidades com actividade e a verdade é que o pico dos novos registos deu-se em 2017, com 1.053 novos espaços, que coincidiu com o ano de melhor desempenho do turismo regional. De então para cá, foram 905 em 2018, 543 em 2019 e 226 este ano e que, por esta altura, dificilmente inverterá a tendência de quebra nos novos negócios á volta do AL.

Aliás, este mês de Setembro está a revelar-se menos activo nos novos projectos, com apenas 8 em 15 dias (um projecto novo a cada quase dois dias), quando em Agosto e no mesmo número de dias, estavam criadas 23, o que dá uma variação relativa de -65,2%. Ora, se até Março (mesmo com o impacto do fecho da actividade a meio desse mês) tinham sido criados mais AL do que no ano anterior, haveria expectativa do sector (um dos poucos que mostrava, ainda assim, dinâmica de crescimento nas dormidas, por exemplo) vir a manter a procura dos turistas em alta.

Em Janeiro do ano passado tinham sido criados 19 AL, contra 40 este ano (+110,5%), em Fevereiro de 2019 já tinham sido 61 (42 nesse mês) contra 73 em 2020 (+19,7% ou mais 33 nesse mês) e em Março os mesmos 112 (mesmo com o terceiro mês deste ano condicionado pela pandemia foram 39 novos, contra 51 do mês homólogo). Depois desse período de três meses foram criados menos unidades (104) nos últimos cinco meses e meio, quando há um ano no mesmo período foram criados o triplo do que havia no final de Março.

Os dados, retirados do portal 'travelBI' do Turismo de Portugal, mostram que há 4.342 registos de AL na Região Autónoma, com 10.479 quartos, 16.776 camas, 73 beliches, detidos por 3.070 titulares e com capacidade para receber 23.817 utentes. Destes pouco mais de 4.340 AL um total de 2.279 são apartamentos, 1.916 são moradias, 113 estabelecimentos de hospedagem, 16 Hostels e 18 quartos.

Em termos concelhios, os 2.081 AL instalados no Funchal representam 57,7% do total e a sua capacidade de alojar 11.082 utentes na capital representam 56,4% do total, sendo que 1.575 são apartamentos e 429 são moradias. Segue-se o concelho da Calheta com 718 AL, a grande maioria dos quais moradias (628), que ainda assim tem 76 apartamentos dedicados. Em terceiro, está Santa Cruz, com 531 registos de AL, na sua maioria apartamentos (321), mas também moradias (201).

Por fim, em termos de freguesias, o líder indiscutível continua a ser São Martinho, com 584 registos de AL, quase o triplo do segundo, a freguesia da Sé, também no Funchal, com 356 AL, e depois ainda vem o Caniço (343) e ainda Arco da Calheta (258) e Santa Maria Maior (245).

+A A -A