Canárias regista 60 mil turistas portugueses em 2018

Em 2018, o aeroporto de Gran Canária recebeu aproximadamente 4,4 milhões de turistas, revela Valentín González, responsável pelo Patronato de Turismo de Gran Canaria.

Embora o mercado nórdico continue a ser o mais forte (com uma média de 1,5 milhões de turistas provenientes do Norte da Europa), seguido de perto pelo alemão e pelo britânico (que rondam em média 1 milhão de turistas), Canárias tem vindo a conquistar terreno noutros mercados, inclusivamente no português.

“Em relação a Portugal estamos muito contentes, porque no ano passado tivemos 60 mil turistas, o que representa um crescimento muito bom comparativamente aos últimos dois ou três anos”, realça o representante do turismo canarino, em declarações aos jornalistas madeirenses em Canárias.

O segredo passa por uma boa conectividade aérea e uma aposta forte na promoção do destino (quer através dos canais tradicionais, quer da promoção online, ou até de bloggers e influencers digitais).

“Tal como a Madeira somos ilhas e se não vens de avião torna-se muito complicado. A conectividade aérea é um dos temas que mais trabalhamos”, reconhece Valentín González, frisando que Canárias está ligada directamente à Europa através de várias companhias, escandinavas, da Alemanha e do Reino Unido.

“Dos principais mercados emissores — Escandinávia, Alemanha e Reino Unido — temos muitos voos directos. Não são voos regulares, são charters, mas que saem duas ou três vezes por semana do mesmo destino e as pessoas podem comprar praticamente do início ao fim da temporada”, sustenta.

Por outro lado, têm vindo tentar captar “destinos mais distantes, como o Leste da Europa ou Israel”, através da ligação aérea ao continente espanhol (Barcelona e Madrid) ou via Munique/ Berlim.

Em termos de oferta, “nos últimos 15 anos Canárias tem tentado promover-se como um destino multiproduto”, refere o responsável pelo Patronato de Turismo de Gran Canaria, procurando afastar a ideia de que se trata só de um destino de praia.

Aliás, González vai mais longe e diz que é precisamente esta variedade que distingue a oferta turística das Canárias da Madeira.

“Sem querer fazer comparações, porque estas são sempre injustas, creio que em Gran Canária, [o Turismo] é um pouco mais variado do que a Madeira. Numa só ilha podemos juntar a natureza — que há na Madeira e pode ser, inclusivamente, muito mais espectacular do que a nossa — com as praias (sobretudo na zona Sul e Sodoeste da ilha), um bom clima todo o ano, com turismo e actividade nocturna, que é uma das nossas características principais. Por outro lado, temos a capital da ilha, Las Palmas, que tem uma actividade comercial enorme (...) Creio que essa é a diferença fundamental, o facto de ser uma ilha com uma oferta turística mais variada”, afirma.

E, em jeito de desafio, acrescenta: “O que não temos nós?”

Valentín González nota ainda que Canárias beneficia por ter também “um nível de impostos mais baixos do que na Madeira”.

Quanto ao futuro, os caminhos apontados pelo dirigente passam por ‘vender’ o turismo cultural, o turismo desportivo, o turismo de saúde e bem-estar e a gastronomia, para agradar um público que cada vez mais procura experiências “autênticas”, durante todo o ano, e fazer face ao ressurgimento competição dos destinos árabes, como é o caso de Marrocos.

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