André Barreto defende financiamento da APMadeira apenas com dinheiro público

André Barreto no 45.º Congresso da APAVT Photo: Rui Silva/ASPRESS
Esta foi uma das propostas apresentadas pelo empresário André Barreto na primeira sessão da manhã do 45.º Congresso da APAVT

A 5.ª sessão do Congresso da APAVT que decorre desde quinta-feira no Funchal debateu as opções estratégicas para o Turismo da Madeira, nomeadamente apontando a temas como o Brexit, acessibilidades, sustentabilidade, autenticidade, modernidade da oferta, distribuição...entre outros olhando o futuro em perspectiva.

Para tal foi dado palco a André Barreto, administrador da Quintinha de São João, que como Key Note Speaker não se poupou a apontar propostas fracturantes, tais como o financiamento da Associação de Promoção da Madeira com dinheiro público, mas gerida de forma privada, ou ainda a proposta de garantir que o princípio de continuidade territorial também se aplique aos portugueses do continente que quisessem viajar para a Madeira.

Preocupado com o futuro do destino Madeira, André Barreto citou Miguel Torga, que disse que somos uma "sociedade pacífica de revoltados", para salientar que não fazer nada para mudar o rumo do turismo seria contra natura. No fundo, defende que devemos saber cuidar do produto, tornando-o mais atractivo e fácil de vender, fundando o produto Madeira na natureza, na riqueza da história, originalidade das gentes, na sua cultura.

Defende, por isso, que o turismo sendo um bem comum, que tem de ser regularizado e fiscalizado, exige uma estratégia, um plano para nos indicar onde estamos e para onde queremos ir, no fundo tocando em todos os pontos que digam respeito ao desenvolvimento global. A Madeira mandou fazer dois muito recentemente, mas ambos carecem, como qualquer plano, de actualização, nomeadamente garantindo que o número de camas deve ser regulado por forma a que não haja um crescimento acima da procura. Agora, depois do crescimento excessivo, estaremos com camas a mais?

André Barreto salientou a questão da formação que não tem nada a ver com a arte de bem receber, sendo necessário uma verdadeira escola hoteleira, voltando-se depois para a promoção. Aqui, apontou claramente a questão da inovação, não tanto de dinheiro, para se fazer o melhor para chegar aos turistas, e aqui também o modelo de distribuição das viagens tem de ser alterado, mais híbrido, e isso ficou claro com a falência da Thomas Cook.

Defende uma alteração de paradigma na APMadeira que deve ser financiado exclusivamente com dinheiro público, mantendo os privados participação, quiçá, num modelo de concessão tal como ocorre com o CINM e a sua gestão à SDM.

André Barreto não aceita que a ANAC se ache 'dona da casa de banho' ao congelar durante dois anos e sem solução à vista a questão dos limites operacionais do aeroporto da Madeira, acreditando ainda que será necessário fazer do Porto Santo o aeroporto definitivo e alternativo do da Madeira.

Por fim, defendeu que todos os portugueses deveriam passar a ter direito ao subsídio de mobilidade, numa proposta polémica mas que até pode chegar a 'carta a Garcia' (ao Governo da República), uma vez que a proposta é mais do que isso, implicaria atrair a desejada terceira companhia.

Não concordando com a taxa turística e lamentando a enormidade de impostos que assolam o sector, André Barreto confessa ter deixado de parte muitos outros temas.

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