APAVT considera que conjuntura "é oportunidade" para secretária de Estado do Turismo pensar estratégia

O presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) acredita que a conjuntura atual no setor do turismo é uma "oportunidade" para a nova secretária de Estado "pensar numa estratégia para os próximos dez anos". 

Pedro Costa Ferreira garantiu, em declarações à agência Lusa, que a APAVT deseja "desenvolver uma relação de confiança e diálogo [com a nova governante], que promova um trabalho conjunto e sobretudo que conduza a resultados". 

"Já tivemos pessoas de fora da indústria que foram excelentes secretários de Estado e já tivemos [outros] de dentro que não se deram assim tão bem" no cargo, disse Pedro costa Ferreira, escusando-se, no entanto, a comentar a escolha de Rita Marques, presidente da Portugal Capital Ventures, para assumir a secretaria de Estado do Turismo. 

O líder da associação garantiu que não ficou desiludido por o turismo não ter direito a um Ministério autónomo. 

"É mais importante para mim trazer o turismo para a centralidade económica do país do que propriamente ter um ministro. Às vezes mais do que a forma interessa o conteúdo", defendeu o presidente da APAVT. 

Pedro Costa Ferreira fez ainda um balanço da tutela anterior, de Ana Mendes Godinho, que saiu da secretaria de Estado do Turismo para assumir o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social. 

"Como se sabe, Ana Mendes Godinho conviveu com uma das fases mais brilhantes do turismo português e naturalmente teve importância nesses mesmos resultados. Não foi a única, é evidente que os empresários tiveram com toda a certeza tanta importância como a secretária de Estado, mas é de primeiríssima justiça dizer que teve excelentes resultados", de acordo com o presidente da APAVT. 

O dirigente associativo realçou ainda o papel da tutela na "transposição para o regime legal português de uma diretiva tão difícil como foi a diretiva comunitária sobre viagens organizadas". 

Quanto à nova responsável pela pasta do turismo, "vem enfrentar uma conjuntura certamente mais adversa do que aquela que enfrentámos nos últimos anos, mas por outro lado vivendo um momento de fim de ciclo é a oportunidade de pensar numa estratégia para os próximos dez anos". 

Para Pedro Costa Ferreira, Rita Marques tem condições para "colocar a sua marca pessoal nesta nova década que temos que construir para o turismo português". 

Questionado sobre prioridades para a nova legislatura, o presidente da APAVT disse que é preciso "falar de qualificação de oferta e da necessidade extrema de resolvermos o problema da mão-de-obra". 

"Conseguimos subir os preços com este aumento brutal da procura e fazer um trabalho importante de inovação, nomeadamente no alojamento local, na animação turística e novos espaços territoriais que foram ganhos para o turismo, mas por outro lado julgo que há muito a fazer na qualidade do serviço o que faz com que provavelmente dos preços que subiram alguns vão ter que baixar", garantiu. 

Pedro Costa Ferreira reforçou ainda que o setor tem que lutar para "manter a autenticidade, que é uma das valências mais importantes do país, mas juntar a essa autenticidade serviços de excelência e modernidade". 

A nova secretária de Estado do Turismo, Rita Marques é presidente da sociedade de capital de risco Portugal Capital Ventures e tem desenvolvido diversos trabalhos de consultoria com entidades públicas e privadas na área da Inovação, Financiamento Público, Internacionalização e Investimento Direto Estrangeiro.

 

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