Hotéis algarvios ainda com muito por implementar nas TIC

Os hotéis algarvios já incorporam tecnologias de informação e comunicação (TIC) na sua atividade diária, mas ainda há "um longo caminho pela frente", afirmou hoje o responsável por um estudo encomendado pela Associação dos Industriais Hoteleiros e Similares do Algarve.

O estudo foi esta tarde apresentado na Região de Turismo do Algarve e destaca que 100% dos 50 hotéis inquiridos já têm presença 'on-line', 84% com página própria (a maioria em três línguas), e 98% permitem reservas 'on-line', representando 40% das vendas, sendo a incerteza quanto aos meios de pagamento e à fiabilidade do processo as principais dificuldades encontradas.

O responsável do estudo, João Soeiro, destacou que os empresários souberam olhar para "a mudança do mercado e dos clientes" com alguma atenção e perceberam "a importância da área da tecnologia que vai ser decisiva nos próximos anos".

Dos resultados do trabalho sobressaiu, também, a necessidade de "estar perto dos hoteleiros, de os orientar, dando o melhor apoio tático e estratégico", para que todos migrem de uma forma consistente para "acompanhar o futuro", destacou.

O estudo indica que as empresas estão "apenas a começar" e, por isso, não se encontraram grandes diferenças na utilização destas tecnologias entre, por exemplo, as unidades de diversas tipologias, sendo importante continuar a "acompanhar a utilização" destas tecnologias.

O presidente da associação, João do Adro, afirmou à Lusa que foi possível perceber a realidade da aplicação destas tecnologias no setor, para que "se possa melhorar o que já se faz", mas ressalvou ser preciso aprender a trabalhar em conjunto.

"Um dos problemas de Portugal é pensarmos que podemos trabalhar sozinhos. Qualquer hotel de média dimensão trabalha sozinho. É importante conhecer e comparar com o que está a fazer", declarou.

A intenção, agora, é divulgar os resultados, "não particularizando o que cada um faz", mas contribuindo para que cada um "possa aplicar e melhorar o seu negócio", afirmou.

As tecnologias são encaradas como mais-valias, sobretudo nas formas de vendas, de promoção do produto junto de outros segmentos de mercado e na atração de clientes diretos. Contudo, a maioria dos inquiridos investe menos de 5% das receitas nas TIC e os processos de decisão estão concentrados nas administrações ou gerência (90%).

Quase metade (42%) dos processos de implementação estão ainda numa fase de inicial e apenas 24% são considerados como amadurecidos, com uma implementação bem-sucedida, havendo quase 20% que nada fizeram por consideram que é desnecessário para o negócio.

João Soeiro considera haver "uma carência de recursos humanos especializados nas TIC", sendo que "não é possível gerir hotéis sem haver quem faça a análise de dados", e que é preciso ter uma visão integrada para conseguir "acompanhar o consumidor, o que ele espera e de que forma" se pode surpreendê-lo, "no sentido de o fazer voltar"Já o presidente da Região de Turismo do Algarve, João Fernandes, congratula-se por ter sido uma associação de hoteleiros "a abraçar o desenvolvimento tecnológico", fazendo um diagnóstico do que se está a aplicar, "partilhando com os diferentes empresários os avanços que uns têm e que podem ser o benefício de outros". 
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