Aeroporto do Montijo gera dúvidas

O presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), Francisco Calheiros, esteve presente no Congresso da Associação de Hotelaria
Presidente da CTP desconfia que infraestrutura não abre em 2023

Muito dificilmente o aeroporto do Montijo estará operacional em 2023. O cepticismo é assumido pelo presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), Francisco Calheiros.
“Há muito que a CTP tem dúvidas da abertura do Montijo em 2022. Neste momento, temos dúvidas para 2023. Estamos em novembro e nada aconteceu, mesmo sendo a decisão irreversível”, advertiu o dirigente no 30.º Congresso Nacional da Hotelaria e Turismo (AHP) que hoje termina no Pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa.
Francisco Calheiros lembrou que na IV Cimeira do Turismo, em Setembro passado, o primeiro-ministro, António Costa, garantiu que “aguardava unicamente a decisão em matéria de impacto ambiental para poder tornar a decisão da Portela + Montijo absolutamente irreversível”. Contudo, como "nada aconteceu", julga estar perante "uma decisão adiada”.
Os compromissos não honrados também se aplicam ao Orçamento do Estado de 2019. "Os orçamentos têm, de uma vez por todas, que reflectir a importância do turismo para o desenvolvimento socioeconómico do país. infelizmente, o Orçamento de Estado para 2019 falhou”, lamentou, salientando que “há cada vez mais turismo na economia e cada vez menos turismo no OE”.


Apelo à responsabilidade
Num congresso que tem como tema “Turismo, que futuro queremos?”, Francisco Calheiros entende que por atingindo "um pico de expansão”, o sector deve "olhar o futuro com responsabilidade e precaução”.
Para a CTP, não se trata apenas de continuar a captar mais turistas para Portugal, embora entenda que esta não é uma “tarefa menor”, mas considera que é necessário assegurar “a necessária” sustentabilidade, reputação, qualidade, diversidade inovação e criatividade.
Julga que uma maior procura de turistas passa por ter um aeroporto na região de Lisboa que dê resposta a este fenómeno, pois nos primeiros nove meses deste ano, com base em dados da Vinci, o Aeroporto Humberto Delgado recebeu mais de 22 milhões de passageiros, o que corresponde a um crescimento de 10%, na comparação com igual período do ano passado.
Calheiros referiu também que nos últimos quatro anos, o Turismo em Portugal cresceu “a um ritmo verdadeiramente impressionante”, lembrando que de 42 milhões de dormidas em 2013 se passou para 57 milhões em 2017, mais 36% no período em análise.
As receitas em 2013 atingiram os 9.000 milhões de euros e subiram 67%, para 15.000 milhões de euros no final do ano passado.
 

Estabilidade na legislação laboral
Em 2017, os empregos directos no Turismo representavam 8,5% do total do emprego em Portugal. E o contributo directo do Turismo para o Produto Interno Bruto (PIB) e para as exportações globais portuguesas correspondeu a 6,8% e 22%, respetivamente no ano passado. "Numa palavra só” a economia portuguesa hoje não é sustentável sem o Turismo”, advertiu o líder da CTP.
Por isso, ao ressalvar que o sector é responsável por “uma fatia muito significativa do emprego em Portugal, tendo tido um decisivo papel no combate ao desemprego e na contratação de estratos mais desfavorecidos e menos qualificados”, Calheiros pede atenção a questões laborais. Sublinha que importa ter em consideração “turnos e horários diferenciados, laboração contínua e maiores exigências de disponibilidade”. “Todos sabemos que as pessoas são um activo diferenciador”, pelo que “entendemos que os benefícios fiscais de criação de emprego constituiriam um importante incentivo para as empresas do turismo celebrarem e converterem contratos sem termo e reforçarem os vínculos laborais”, defende o dirigente da CTP, antes de deixar um apelo: “As alterações constantes à legislação laboral não servem outros propósitos que não sejam os partidários. As empresas e os trabalhadores portugueses necessitam de estabilidade e merecem que o Estado lhes assegure segurança e confiança no futuro. Os acordos são para se cumprir e não para debater no espaço mediático e ao sabor de interesses que não os legítimos de quem investe e trabalha em Portugal”.

 

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