Paquete Funchal em 'morte lenta' no cais da Matinha em Lisboa

Falta de confiança da banca atrasa financiamento para salvar empresa. FOTO DR
O histórico navio com o nome da capital madeirense pertence à 'Classic international'

A empresa proprietária do paquete 'Funchal' disse anteontem que o pagamento das dívidas a trabalhadores e fornecedores e a reactivação da frota dos cinco cruzeiros do grupo está dependente do financiamento da banca.

No dia em que os últimos tripulantes, incluindo o comandante, desembarcaram do paquete 'Funchal', que aguarda obras há mais de dois anos no cais da Matinha, em Lisboa, e que está sem gasóleo e sem electricidade desde Outubro, um representante da 'Classic International Cruises (CIC)' explicou publicamente a situação do grupo.

"Neste momento, não há liquidez na empresa em função do atraso no financiamento bancário. Esperamos solução nas próximas semanas, até porque a empresa tem grande potencial e é recuperável. Mas a falta de confiança da banca nos herdeiros está a atrasar a resolução do problema do financiamento", esclareceu Alexandre Bonito, representante da CIC, enquanto os últimos tripulantes desembarcavam no cais da Matinha.

Alexandre Bonito acrescentou que são necessários seis milhões de euros para as obras no paquete 'Funchal' que, segundo o responsável, tem mercado no outro lado do atlântico.

"Acredito [que o paquete 'Funchal'] até esteja a navegar no próximo ano. Tem mercado preparado para operar no Brasil, onde tem grande aceitação e credibilidade. É um potencial de negócio enorme. Quanto às tripulações, são sazonais e são contratadas em função das viagens", disse.

A tripulação do paquete 'Funchal', que não recebe ordenados há quase três meses e que se manteve mais de dois anos a bordo do navio a aguardar pelas obras acusou os armadores de os terem abandonado.

O paquete 'Funchal' pertence à CIC, que tem mais quatro navios de cruzeiros arrestados por dívidas a fornecedores, em vários portos europeus.

Há ainda 42 funcionários que trabalhavam na sede da empresa, na avenida 24 de Julho, em Lisboa, que receberam a carta de despedimento colectivo em Novembro. Os escritórios estão sem água nem luz.

Ao todo, são mais de 550 funcionários da Classic International Cruises que, em terra ou no mar, não recebem ordenado desde Outubro. Os proprietários são de nacionalidade grega, mas a empresa tem sede em Portugal e todos os navios têm bandeira nacional.

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