Tolentino Mendonça vai falar da ética e dos negócios ao congresso da hotelaria

Evento começa hoje nos Açores e movimenta 400 hoteleiros

O padre e poeta madeirense José Tolentino Mendonça vai aos Açores falar esta tarde da ética e os negócios no 28.º Congresso da Associação da Hotelaria de Portugal.

Num painel moderado pelo Vice-Presidente da Direcção Executiva da AHP e Administrador do Grupo PortoBay, o também madeirense Bernardo Trindade, o teólogo e vice-Reitor da Universidade Católica Portuguesa será keynote speaker num momento em que serão abordados os deveres das empresas como entidades sociais; os negócios e criação de valor enquanto eixo de redistribuição; a concorrência sã e transparência alicerçada numa comunidade de valores; o emprego como factor de coesão económica e social; a importância do movimento de associação num ambiente individual incerto.

Helena Ferreira, CEO do Hotel do Sado Business and Nature e Pedro Cunha, Sócio responsável pelo departamento de Fraud Investigation and Dispute Services para Portugal e Angola da Ernst & Young  são também oradores neste painel do evento que começa hoje em Ponta Delgada, e onde cerca de 400 agentes do sector vão debater a actividade e o contexto atual sob o tema 'Portugal, Vocação Atlântica'. 

A internacionalização dos grupos hoteleiros portugueses, a estratégia para "crescer em Portugal", as novas tendências no consumo digital são outros dos temas a ser debatidos em Ponta Delgada. O congresso conta com vários intervenientes com conhecimentos nesta área, desde logo o investidor David Neeleman (acionista da TAP e presidente e dono de outras companhias aéreas), o presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo, o CEO do Grupo Pestana, José Theotónio, o administrador do Grupo Pestana, Frederico Costa, bem como a Cônsul dos EUA nos Açores, Elizabeth Konick, entre outros. 

400 agentes do sector presentes

O 28.º Congresso da Associação da Hotelaria de Portugal conta com a participação de, pelo menos, 400 agentes do setor, superando as expetativas, disse a presidente executiva da AHP.

Em declarações à Lusa, Cristina Siza Vieira, explicou que o posicionamento estratégico de Portugal - o facto de ser "a ponta mais ocidental da Europa" e de ter "ainda mais a Ocidente os Açores" - levou à escolha do tema do congresso.

"É a meio caminho entre os dois continentes [América e Europa] e a plataforma atlântica óbvia de interesses estratégicos e interesse logístico de várias ordens. Portugal tem este posicionamento geográfico que nos permite ter as relações que temos com África, Brasil, com os EUA -- aliás, com a América toda -" e "o que cose todas estas nossas ligações é o Atlântico", lembrou a dirigente da AHP.

Este ano, há "uma outra oportunidade que é a questão do Reino Unido", afirmou.

O Reino Unido, principal mercado emissor de turistas para Portugal, velho aliado e um dos principais países das exportações nacionais, vai, assim, também centrar as atenções dos hoteleiros. 

"O facto de o Reino Unido ter tomado a decisão de sair da União Europeia ('Brexit'), com consequências ainda imprevisíveis tão importantes - ou com consequências geopolíticas mais importantes ainda do que verdadeiramente económicas - e as várias questões que se colocam" são, atualmente, tema, refere, apesar de admitir que, para já, as consequências para o turismo nacional não se notam. 

Mas as circunstâncias atuais levam a outro ponto de discussão interessante: o mercado dos Estados Unidos, como captar e fidelizar estes turistas num contexto em que se vão conhecendo as intenções do Presidente eleito, Donald Trump.      

"Há dois pilares fundamentais nos quais assenta o turismo: a livre circulação de pessoas e a segurança. Sem estes não há turismo", sublinha a presidente executiva da AHP, acrescentando que se torna ainda mais oportuna a decisão de se fazer uma "reflexão política, estratégica, que importa ao Turismo" pelas razões mencionadas. 

"O mercado norte-americano vai estar presente no nosso congresso de diferentes prismas: económico, turístico e do ponto de vista político, e vamos ter alguma oportunidade de olhar nas várias perspetivas (pelos intervenientes) para este continente, que é gigante", afirmou.

 

   

 

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