"Turismo é a indústria da paz, quando há guerra todos saem a perder"
O presidente da associação das agências de viagens considera que o Turismo é a indústria da paz, rejeitando que se possa falar em ganhos para Portugal quando conflitos desviam fluxos turísticos em prol das qualidades do destino.
Pedro Costa Ferreira falou à Lusa a propósito do 41.º Congresso Nacional da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), que decorre de hoje a 06 de dezembro em Albufeira, no Algarve, tendo sido questionado sobre se os recentes ataques terroristas não serão inevitavelmente abordados no debate anual do setor.
"Fala-se muito do benefício eventual de Portugal quando estes acontecimentos ocorrem fora de Portugal. Eu diria duas coisas: a médio prazo, com toda a franqueza, não creio que haja benefício para ninguém. O turismo é a indústria da paz, quando há guerra toda a gente sai a perder porque há um sentimento de insegurança que pode prevalecer e, quando um sentimento de insegurança prevalece, ninguém sai a ganhar", disse Pedro Costa Ferreira.
Por outro lado, acrescentou, "sendo verdade e objetivo que alguns movimentos de curto prazo podem direcionar-se a Portugal [nestas alturas] - quando antes de os acontecimentos ocorrerem estariam direcionados para outros destinos, se isso for verdade e admito que o seja e parece que é factual -- não creio que se possa dizer que Portugal está a beneficiar desses acontecimentos".
Isto porque, na opinião do presidente da APAVT, Portugal está, antes de tudo, a beneficiar de algo muito mais importante: "Ter feito o trabalho de casa, ser um destino seguro, com um clima social que está resolvido".
"Para um país que teve um processo de ajustamento, que eu diria, tão doloroso e tão exigente, conseguir em todos os momentos desse plano de ajustamento manter um clima social absolutamente afável, acolhedor e de braços abertos para quem nos visita, penso que essa é a grande vitória. E é por causa desse trabalho que podemos, eventualmente, beneficiar. Não por causa dos acontecimentos que ocorreram, infelizmente, noutros pontos do globo", concluiu o responsável.
No passado dia 27 de novembro, também o presidente do Turismo de Portugal, João Cotrim de Figueiredo, afirmou que acontecimentos como os atentados em Paris, a 13 de novembro, "nunca podem ser vistos como uma vantagem para algum país".
João Cotrim de Figueiredo rejeitou, na altura, a visão de curto prazo sobre o desvio do fluxo de turistas por motivos de instabilidade e segurança, tendo-se mostrado favorável a uma visão de médio e longo prazo que é benéfica ao turismo a nível mundial.
O presidente do Turismo de Portugal alertou também para o facto de acontecimentos como os que ocorreram em Paris, ou outros no passado, não virem a servir de pretexto para reforçar certo tipo de procedimentos de controlo, no caso das fronteiras e dos vistos, que "acabam por inibir o turismo".





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