Agências de viagens facturam menos 7% este ano

Estudo revela situação adversa

A faturação das agências de viagens em Portugal deverá cair 7% este ano, para 1.400 milhões de euros, devido ao abrandamento da procura e "forte pressão" sobre os preços, segundo um estudo setorial hoje divulgado.   

"A situação económica adversa provocou nos últimos anos fortes quebras das receitas dos operadores turísticos e das agências de viagens portugueses", refere a Informa D&B em comunicado.  

No caso das agências retalhistas, a quebra no volume de negócios deverá ser de 7% este ano, para 1.400 milhões de euros, enquanto nas agências grossistas deverá atingir os 8%, para 280 milhões de euros.  

Em 2012, a faturação das agências de viagens já havia caído 10%, para 1.510 milhões de euros, enquanto o volume de negócios dos grossistas de viagens diminuiu aproximadamente 12%, para 350 milhões de euros.  

De acordo com as conclusões do estudo, na base desta evolução está "o aumento do desemprego e a contração da despesa das famílias e das empresas", que motivaram uma "redução substancial do orçamento destinado a viagens". 

"Constata-se uma orientação crescente da procura para destinos de menor custo e mais próximos, assim como para estadas mais curtas", nota a Informa D&B.   

Adicionalmente, refere, o setor das viagens "enfrenta uma desintermediação crescente, pelo que uma percentagem cada vez mais alta de clientes particulares e empresariais compra diretamente os bilhetes de transporte, as reservas hoteleiras e outros serviços turísticos através do 'site' das companhias fornecedoras destes serviços".   

Segundo os dados da Informa D&B, em maio passado havia em Portugal um total de 1.785 agências de viagens, número que tem apresentado "uma tendência decrescente nos últimos exercícios, devido ao encerramento de empresas e ao processo de restruturação das redes das grandes cadeias".   

Os dados evidenciam também uma "significativa concentração geográfica da atividade", com os distritos de Lisboa e Porto a concentrar cerca de metade dos pontos de venda, seguidos dos distritos de Faro, com 9% das agências, e de Aveiro e Braga, com cerca de 6% cada. De acordo com o trabalho, o mercado grossista regista "uma importante concentração da oferta", com os cinco principais operadores a representarem cerca de 60% do volume de negócios total em 2012 e os 10 maiores a concentrarem 85% da faturação.    Já no mercado retalhista a oferta está "algo mais atomizada", situando-se a quota de mercado agregada das cinco principais empresas nos 49%. Segundo nota a Informa D&B, a forte concorrência, a quebra da procura nacional e as dificuldades de acesso ao crédito "estão a favorecer a internacionalização das empresas portuguesas do setor, nomeadamente para Angola e outros países emergentes de língua portuguesa".     
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