Ocupação turística na Madeira faz-se à conta dos mercados estrangeiros

O mercado nacional é o principal responsável pela queda na hotelaria madeirense. FOTO ARQUIVO

 

 

A grande parte dos turistas que este ano visita a Madeira no período da Páscoa é oriunda de mercados externos - inglês, alemão, francês e escandinavo -, estando os portugueses "em muito menor número", referem hoteleiros da região.

A entrada de portugueses - habitualmente um dos três principais mercados emissores de turismo para a Madeira, chegando a "rivalizar" outrora com os britânicos e germânicos - é esperada nesta altura numa dimensão "residual".

Segundo o presidente da mesa de turismo da Associação Comercial e Industrial do Funchal (ACIF), José Cardoso, a taxa de ocupação estimada para o período de 29 a 31 de março (fim de semana de Páscoa) na Madeira é de 71,71% (contra 73,45% em 2012).

Ciriaco Campus, diretor-geral do Reid´s Palace Hotel - o ex-líbris da hotelaria madeirense -, "na altura da Páscoa a ocupação no hotel será semelhante à registada em 2012, ou seja, andará por volta dos 50%, sendo os principais mercados o inglês, alemão e suíço". Já os portugueses "são muito poucos".

"A situação mundial e a crise económica não ajudam", declara.

A diretora-geral dos hotéis Savoy Gardens e do Royal Savoy, Graça Guimarães, confirma também não ter portugueses entre os hóspedes: "Costumávamos ter algumas famílias, mas este ano não temos reservas de turistas nacionais".

Segundo a responsável, este ano a ocupação é de 91% no Royal Savoy e de 89% no Savoy Gardens, com a maioria dos visitantes a vir de Inglaterra. "Mas no ano passado estávamos a 100%", admite.

A recepção do Hotel Quinta Bela São Tiago informa também que espera uma ocupação de 70% a 75% na Páscoa deste ano (no ano passado foi de 90%) e 
que "na maior parte são ingleses, alemães, belgas e franceses. A percentagem de portugueses é muito pouca".

A diretora de marketing do Grupo Portobay, Fabíola Pereira, avança também que os hotéis Porto Mare, Éden Mar e Porto Santa Maria registam ocupações que variam entre os 80% a 90%, enquanto o cinco estrelas Cliff Bay se fica pelos 68%.

"Temos ingleses, alemães e escandinavos. O mercado português tem muito pouca representação", afirma.

Os hotéis do Grupo Four Views - Baía, Monumental e Oásis - vão registar também, segundo as representantes Aldora Botelho e Catarina Abreu, ocupações entre os 80% e os 95%, mas também à custa de alemães e escandinavos.

Manuel Cid, diretor do Riu Palace Madeira, hotel situado na freguesia do Caniço, no concelho de Santa Cruz, diz que o hotel tem uma ocupação prevista de 59% (em 2012 estava com 88%), com predominância de alemães e ingleses.

"Portugueses é zero por cento. É a crise", afirma.

Em declarações à Lusa, o diretor regional de Turismo, Bruno Freitas destacou que a Secretaria Regional do Turismo está a fazer "uma aposta clara nos mercados estrangeiros" e mencionou que, devido ao contexto de crise, há uma quebra no número de visitantes nacionais.

"No mercado nacional estamos neste momento a caminhar para os níveis do início do século XXI, altura em que os portugueses viajaram muito. Agora estamos a voltar ao tradicional, em que os mercados estrangeiros são predominantes para o turismo da Madeira", observou o responsável.

 

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