Madeira recupera mercado de incentivos e congressos

A 'JCTours' ultrapassou em Janeiro último as vendas registadas em 2012
Júlio de Sousa: "JCTours faz 50 horas de promoção de Portugal por dia na Europa".

A JCTours, agência de viagens madeirense que tem uma componente de negócios muito expressiva no segmento da importação, já assegurou para este ano o mesmo volume de vendas que obteve em 2012 com grupos de viagens de incentivos e congressos, com destino à Madeira.

O administrador e accionista maioritário da empresa, Júlio de Sousa, disse ao DIÁRIO que as perspectivas de crescimento são boas. Aliás, acredita que o volume de vendas poderá duplicar este ano, em relação ao anterior, dada a retoma em curso no mercado e neste segmento específico, em contraste com o registado no ano passado, ano de grande quebra, sobretudo nos mercados originários da Europa.

A agência madeirense, que há cinco anos abriu uma delegação em Lisboa, onde também centralizou muitas das suas actividades, numa perspectiva de responder a oportunidades de negócio que surgiram no âmbito nacional, tem agora montada uma rede de colaboradores em diversas cidades estrangeiras, nomeadamente na Europa, onde dinamiza cerca de 50 horas por dia de promoção de Portugal e das suas regiões turísticas. "O trabalho desses colaboradores, todos técnicos reconhecidos e com currículos valiosos no sector, é quase tão intenso como o do Turismo de Portugal ou das regiões turísticas nacionais, se tomarmos em conta o tempo despendido nessas acções", refere a propósito Júlio de Sousa, que se manifesta "muito satisfeito" com os resultados obtidos nos últimos meses por essa equipa.

Trabalho intenso

A promoção de Portugal e das suas regiões turísticas, com natural destaque para a Madeira, onde se centraliza uma boa percentagem do negócio, foi recentemente valorizada com a inclusão do madeirense João Camacho na equipa da JCTours. Trata-se de um conhecido profissional, residente no Reino Unido, que até há pouco tempo foi administrador do operador 'Atlantic Holidays' (grupo Pestana), e que é um profundo conhecedor do mercado britânico de viagens de férias.

As perspectivas de retoma do negócio de reuniões e incentivos, designado internacionalmente, no ambiente do turismo, por MICE ou MI, são melhores agora. A Madeira, embora não disponha dos espaços ideais para receber grandes eventos, dadas as limitações das salas e equipamentos disponíveis, "tem todas as condições para ganhar negócios mais pequenos, desde que os parceiros se juntem com vista a uma melhor logística no terreno, indispensável para a recepção desse tipo de clientela turística", observa o responsável pela 'JCTours'.

Faltam instalações

Júlio de Sousa considera que faltam salas e locais que ofereçam os equipamentos e o conforto que se hoje se procuram para a realização de conferências e conferências, que utilizam cada vez mais as modernas tecnologias multimédia e grandes espaços onde se possam realizar festas e jantares com algumas centenas de convivas. Os existentes são pequenos ou estão mal equipados e o Pólo Tecnológico não tem a mais-valia que se pretende para essas iniciativas. Os acessos não são os melhores em relação à localização dos hotéis, e as empresas que organizam esses eventos optam, regra geral, por estruturas que estejam próximo dos hotéis ou nelas integradas. As unidades hoteleiras existentes na Região que se dedicam ao turismo de negócios - por sinal considerado no Plano Estratégico Nacional de Turismo como produto "sem expressão" na Madeira - têm uma boa oferta, se bem que limitada a algumas centenas de hóspedes ou convivas, considera o agente de viagens.

Quanto ao turismo de férias que aflui à Madeira e ao Porto Santo, Júlio de Sousa sugere que este ano a Região deverá apontar baterias a Portugal e a Espanha. "Se é verdade que são dois países que passam por uma crise grande, o certo é que no ano passado portugueses e espanhóis já cortaram nas férias e nós sentimos esses cortes. Este ano já deverá haver retoma para destinos próximos e a Madeira pode, muito bem, ganhar a preferência desses turistas, sobretudo famílias de classe média, que não deverão ficar mais umas férias em casa". Nos restantes mercados, refere, "o francês está muito bem, com crescimento que irá continuar, assim como o alemão que prossegue a recuperação para Portugal". Julga ainda que outros mercados europeus estão a dar boas indicações para o Verão, "mas é necessário mais investimento, quer da parte das empresas, quer dos organismos e entidades públicas responsáveis pela promoção das regiões turísticas nacionais".

Foco nos EUA e Canadá

No que se refere à promoção específica da Madeira, Júlio Sousa insiste na necessidade de diversificar mercados, apontando como prioridade o continente americano. Uma ideia que reúne consenso nos meios locais. É preciso estarmos atentos à América do Sul, nomeadamente ao Brasil, que apresenta um dos maiores índices de crescimento de viajantes em todo o mundo e particularmente para a Europa, mas sobretudo à América do Norte, onde a Madeira só tem a ganhar se conseguir interessar a SATA na realização de voos directos de Boston (EUA) e de Toronto (Canadá) no Inverno.

"Todos os anos se fala nisto. Têm-se dado alguns passos nos últimos dois anos, mas em concreto nada avançou.

A SATA tem de colocar o voo, tem de assumir e compartilhar o risco com os intervenientes locais, Governo Regional, hotelaria e empresas de serviços, pois a Madeira tem clima favorável, serviço de qualidade e todas as condições que potenciam esse tipo de clientela em, pelo menos, nove meses do ano", sugere Júlio de Sousa.

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