Operação da Ryanair em todos os aeroportos nacionais negociada em Dublin

A terceira companhia aérea na rota Madeira-Lisboa pode ser anunciada em breve
Eis a fotografia que está a deixar os políticos regionais em roda viva.

Numa altura em que os políticos regionais decidem acentuar a necessidade da entrada de uma terceira companhia na rota Madeira-Lisboa, a secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, afirma que, numa reunião ocorrida esta semana em Dublin com a transportadora aérea Ryanair, examinou a operação da mesma em todos os aeroportos nacionais.

Sabe o DIÁRIO que a hipótese da Ryanair voar de e para a Madeira também esteve sobre a mesa. À margem da IV Cimeira do Turismo Português, a decorrer em Lisboa, a governante afirmou que o encontro visou uma "avaliação geral da Ryanair em Portugal, nomeadamente o planeamento das próximas operações" da companhia no país e como "se pode evoluir em todos os aeroportos".

"O transporte aéreo é crucial para Portugal e para nós é fundamental esta articulação com todas as companhias aéreas. Faço isto regularmente, porque é uma das missões prioritárias que tenho: captar rotas para Portugal", recordou.

Ana Mendes Godinho indicou que, nos últimos dois anos, houve 220 novas operações para Portugal.

Tanto Paulo Cafôfo, como Miguel Albuquerque, mostraram-se nas últimas horas atentos a um dosseir que poderá ter desfecho em breve. Na edição de hoje do DIÁRIO, o candidato socialista nas Regionais de 2019 relembra a posição do Governo Regional “que foi absolutamente contra a entrada de uma nova companhia na rota da Madeira”, o que permitira aumentar a concorrência, os voos e lugares disponíveis, e reduzir os preços das passagens, “tendo recusado negociar com qualquer companhia aérea para ser uma alternativa às actuais operadoras” e indicia preferência pela Ryanair.

Hoje, por ocasião da atribuição das medalhas de mérito no Dia Mundial do Turismo, Miguel Albuquerque fez questão de referir, perante um a plateia de profissionais e empresários do sector, que o executivo madeirense, em parceria com a ANA, “uma entidade que este ano se tem portado bem”, tem desenvolvido esforços para conseguir trazer uma terceira companhia aérea para a linha Madeira-Lisboa..

Questões laborais em análise

Ana Mendes Godinho abordou ainda "questões laborais" com a companhia em reunião mantida esta semana em Dublin. Na sequência de críticas do Sindicato Nacional de Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC). disse que "todas as situações relativas a Portugal foram tratadas, incluindo questões laborais", escusando-se a desenvolver mais o assunto.

Na quarta-feira, em comunicado, o SNPVAC tinha felicitado a Comissária Europeia do Emprego, Assuntos Sociais, Competência e Mobilidade Laboral, Marianne Thyssen, por ter "compelindo essa empresa [Ryanair] a mudar a sua postura relativamente às condições laborais", enquanto qualificou de "inaceitável e incompreensível que a sra. Secretária de Estado do Turismo de Portugal, Ana Mendes Godinho, e o presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo, tenham visitado a sede da Empresa Ryanair em Dublin".

"E ao invés de aproveitarem a ocasião para exigirem o cumprimento imediato da Constituição da República Portuguesa e das leis nacionais ao CEO [presidente executivo] da empresa, Michael O'Leary, preferiram realizar uma sessão fotográfica particular publicando de seguida, e com grande satisfação pessoal, uma fotografia numa rede social", segundo o sindicato.

O sindicato lamentou a "atitude de profundo desrespeito pelos portugueses em geral, e de desprezo pelos tripulantes de cabine portugueses da Ryanair, em particular".

"O SNPVAC mostra-se, no mínimo, desiludido perante esta atitude de subordinação por parte de um representante do Governo à empresa Ryanair", lê-se no comunicado.

O sindicato referiu esperar um "esclarecimento cabal" do Governo e exigiu que a secretária de Estado do Turismo e o presidente do Turismo de Portugal "assumam as responsabilidades políticas desta atitude inqualificável perante os trabalhadores da Ryanair e todos os portugueses".

"Assim, não havendo consequências políticas deste triste episódio e o Governo de Portugal continue a não exigir à Ryanair o cumprimento integral da Constituição e das leis nacionais, iremos responsabilizar também o executivo português por todas as ações que o SNPVAC será obrigado a tomar para que o cumprimento da lei nacional seja uma realidade", conclui o comunicado.

Tripulantes de bases de seis países, incluindo Portugal, e pilotos da Holanda e da Alemanha da Ryanair vão estar em greve, na sexta-feira.

Os trabalhadores têm reivindicado a aplicação das leis laborais nacionais e não as irlandesas.

Na quarta-feira, a companhia aérea de baixo custo reviu em baixa o número de voos que vão ser cancelados, na sexta-feira, devido à greve agendada para 150, dos 190 inicialmente previstos.

 

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