Convulsão na companhia área cabo-verdiana

Os trabalhadores da companhia aérea pública cabo-verdiana (TACV) manifestam-se na quinta-feira na cidade da Praia por discordarem da forma como a administração tem conduzido o processo de reestruturação para privatizar a empresa. 

A informação foi avançada à imprensa pelo Sindicato de Transportes, Telecomunicações, Hotelaria e Turismo (SITTHTUR), indicando que os trabalhadores ameaçam ainda com uma greve geral, caso a situação não se altere.

As decisões saíram de uma assembleia de trabalhadores, realizada no sábado, em que foi discutida a proposta de indemnização apresentada pela empresa para a rescisão por mútuo acordo, o programa de pré-reforma, condições para transferência de trabalhadores para ilha do Sal e ameaças de despedimento coletivo.

Em comunicado, o sindicato indicou que durante a reunião se constatou "a existência de um clima de grande descontentamento e revolta no seio dos trabalhadores, por causa das medidas que estão a ser tomadas pela administração da empresa, ignorando completamente os trabalhadores e os seus representantes".

"Constatou-se ainda existência de um ambiente de grande pressão, de ameaças e de intimidação dos trabalhadores por parte dos responsáveis da empresa, no sentido de impor, à força, as suas medidas", prosseguiu, citado pela Inforpress. 

Durante a reunião, os trabalhadores insistiram na "reabertura urgente" do programa de pré-reforma e no cumprimento dos compromissos assumidos pela administração da empresa perante o sindicato.

O programa de adesão à pré-reforma, terminado no início de fevereiro e que deveria abranger cerca de 100 funcionários, ficou abaixo das estimativas, com os trabalhadores a manifestarem desagrado com as propostas apresentadas.

Está também em negociação o valor das indemnizações dos trabalhadores que decidam rescindir por mútuo acordo, estimado pelo SITTHTUR em 50.

Neste momento está também em negociação a transferência de trabalhadores para a ilha do Sal, para onde foram transferidas todas as operações da companhia desde finais de fevereiro.

No comunicado, o sindicato garantiu que os funcionários não aceitam ser transferidos sem que sejam discutidas as condições. 

Na semana passada, a maior central sindical cabo-verdiana (UNTC-CS) acusou a administração da TACV de estar a "agir à margem da lei" e de ignorar trabalhadores e sindicatos no processo de reestruturação para privatizar a empresa.

Esta será a segunda manifestação dos trabalhadores da TACV, depois da primeira realizada em julho do ano passado, em protesto pelo fim das operações domésticas e para exigir informação quanto a despedimentos e indemnizações. 

A TACV está a ser reestruturada para ser privatizada, num processo que deve implicar a saída da empresa de mais de 200 trabalhadores.

O Governo anunciou que já tem uma verba de 13,3 milhões de euros para o pagamento das indemnizações.

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