Ano positivo para agências de viagens não dissipa dúvidas

Pedro Costa Ferreira faz diagnóstico na abertura do 43.º congresso da APAVT

“O ano foi positivo para as agências de viagens”, mas não houve apenas boas notícias. Mais, o futuro não está a salvo de incertezas pois não se resume a esperanças e optimismo. Uma convicção assumida pelo presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), Pedro Costa Ferreira, na sessão de abertura do 43.º Congresso Nacional, que este ano se realiza em Macau pela quinta vez na história.

É ponto assente que as agências gozaram de um ciclo económico favorável, com mais crescimento, mais confiança na economia, mais consumo e menos desemprego.  Um facto que para Costa Ferreira alavancou o bom trabalho executado do lado do outgoing, pelas agências de viagens portuguesas. Por outro lado, o extraordinário momento do País, enquanto destino turístico, permite antever que, do lado do incoming, haverá certamente mais crescimento, melhores resultados e balanços mais sólidos, neste final do ano.

Há também um quadro laboral mais moderno, mais amigo da economia e da criação de emprego, bem assim como colaboradores mais respeitados e mais valorizados. Um quadro que sai do trabalho entre a APAVT e o sindicato do sector, que permitiu a revisão do acordo colectivo de trabalho, dez anos depois, “o que é muito tempo!” 

No Centro das atenções

Contudo, não houve apenas boas notícias. A tragédia dos incêndios, que afectou tão dramaticamente as gentes da região do centro, o “destino preferido” da APAVT em 2017, dominou as preocupações, havendo um compromisso efectivo de solidariedade para com o Centro de Portugal na dura fase de reconstrução do destino e que não se faz apenas de palavras.

Prevenindo a espécie de solidão que aí vem, quando as dificuldades permanecerem, mas a atenção mediática desaparecer, a APAVT deu conta que disponibilizou ao turismo do centro, o site “O Centro das atenções”, que será colocado on-line a todo o momento.

“Ao longo de pelo menos todo o próximo ano, manteremos vivo este site onde, em conjunto com o Turismo do Centro chamaremos a atenção para todas as oportunidades que se mantêm inalteradas, na região. Cada um, neste processo ajudou como pode e de acordo com as suas convicções. 

A APAVT custeou integralmente este site e custeará integralmente a sua dinamização, na convicção profunda “de que o que o centro mais precisa é que os seus parceiros repitam até à exaustão, que a melhor maneira de ajudar é irmos passar férias, e fazermos reuniões corporativas,naquela região do País”.

Dúvidas futuras

Para além deste acontecimentos não desejados, e apesar da boa prestação do sector ao longo do ano, Pedro Costa Ferreira refere que “persistem preocupações várias, estrangulamentos, muitas dúvidas relativamente ao futuro”.

A instituição de taxas discriminatórias de reserva nos GDS`s, pelos gigantes da aviação e o ambiente jurídico/regulatório que virá igualmente introduzir novas e importantes dificuldades, concretamente a nova directiva europeia sobre viagens organizadas, o novo regulamento europeu sobre protecção de dados, e o novo ambiente de operação turística na cidade de Lisboa foram aspectos abordados. Daí o desbafo presidencial que reproduzimos:

"Uma relação com a industria aérea que teima em nos trazer novos desafios, novas barreiras, novas tensões.

Um quadro regulatório que imporá maior responsabilidade e mais risco

Um regulamento que vai entrar em vigor, mas relativamente ao qual existem mais dúvidas do que certezas.

Uma cidade onde está mais difícil operar.

Um aeroporto esgotado, causa de inúmeros estrangulamentos ao crescimento, quer do lado do incoming, quer do lado do outgoing.

Uma desigualdade fiscal internacional que se mantém,para gáudio dos nossos amigos espanhóis, que fazem publicidade de eventos 23% mais baratos do que em Portugal

São inúmeras as barreiras que se erguem no futuro.

Seguir vencendo o desafio da formação, da gestão competente, da criatividade, da diferenciação, do foco, em suma, da criação de valor para o cliente, é o único caminho.

É o único, mas não é novo. Todos nós estamos no mercado única e exclusivamente pela nossa ligação ao cliente, eesta, actualmente, só resulta da criação de valor.

Estejam todos absolutamente certos de que o sector das agências de viagens continuará a responder presente, criando valor para o cliente, assegurando a liberdade de escolha, contribuindo para o bem-estar e qualidade de vida das pessoas.

A principal viagem de todos e cada um de nós continuará a ser a próxima".

Macau histórico

Sobre Macau, “incomparável região” e palco deste congresso, Costa Ferreira sublinhou que representa, quer para Portugal, quer para o turismo, uma  “referência do extraordinário desenvolvimento económico da região que mais influenciará o mundo, nas próximas décadas”.

“Portugal e Macau não apenas partilham ligações históricas, culturais e afectivas. Poderão igualmente jogar papéis absolutamente relevantes, no espaço das relações económicas entre a China e a Europa. Por um lado, Macau será sempre uma referência para Portugal, enquanto porta de entrada no mercado mais importante do turismo mundial, a China. Por outro lado, não tenho uma dúvida que Macau, e a China, poderão beneficiar da posição de charneira do nosso País, relativamente à Europa e à comunidade europeia, bem como ao mundo da lusofonia”, referiu.

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